No dia 9 de março, a Assespro-MG, executora do Bureau de Inteligência do Arranjo Produtivo Local (APL) de Software do Governo do Estado, promoveu seu V Encontro Empresarial. O evento teve como objetivo apresentar o resultado da 1ª Pesquisa do Perfil dos Profissionais de TI, que traçou as características econômicas e sociais do profissional de Tecnologia da Informação. O encontro reuniu cerca de 50 pessoas no Campus Aimorés da UNA.
O trabalho foi desenvolvido pelo vice-presidente de Comunicação e Marketing da Assespro Nacional, ex-presidente da Assespro-MG, consultor em Comunicação Empresarial e diretor da Orientar Recursos Humanos, Túlio Ornelas Iannini. Segundo o empresário, a área de informática é sempre vista como promissora e, apesar de quem trabalha nela tender a ter uma boa condição financeira, a realidade não é bem esta. “O setor possui boa remuneração sim, mas não é fácil conquistar cargos que remunerem bem”, observa.
O resultado da pesquisa revelou informações importantes para traçar o cenário atual do setor de TI e projetar perspectivas com relação à formação de mão de obra especializada. Abrangente, uma das questões abordadas pela pesquisa foi o domínio da lógica, que segundo Túlio Iannini, ficou bem abaixo do esperado. “Pouco mais de 1% dos entrevistados conseguiram acertar todas as questões propostas e apenas 50% deles acertaram a metade delas”, revela.
Outras características apontadas pela pesquisa com relação ao profissional de TI foram facilidade em se impor, relacionamento informal com os superiores e baixa energia para o trabalho. “Apuramos que eles tratam a chefia como colegas, mas possuem baixa energia para o trabalho e só fazem o serviço que gostam e dá prazer. Com relação à contratação, a grande maioria prefere o regime da CLT”, conta Túlio Iannini.
Com faixa etária predominante jovem – 63% deles possuem entre 21 e 29 anos de idade –, a pesquisa abordou, ainda, a motivação dos profissionais para o trabalho. “27% deles repondeu que o que mais os motiva para trabalhar em uma empresa é o fator oportunidades de ascensão na carreira.”
Segundo Túlio Iannini, para o profissional ter empregabilidade e boa remuneração, precisa se dedicar muito aos estudos e ter uma visão clara de sua especialização. “Isso não foge muito de outras áreas e é realidade no setor de TI. Mas pelos resultados da pesquisa ficou claro que os profissionais possuem dificuldade para se especializar ou fazer cursos de aperfeiçoamento devido às condições financeiras”, analisa.
O levantamento apontou que cerca de 48% dos profissionais possuem uma renda familiar de até R$ 1.875 mensais, insuficiente para investir em formação. “Esta é uma importante informação para traçar metas para melhorar a qualidade da mão-de-obra no setor e aumentar o número de profissionais no mercado. De uma forma geral, a pesquisa é um trabalho consistente que mostra a situação dos profissionais que estão trabalhando ou ingressando no mercado de trabalho no setor de TI”, diz Túlio Iannini.
Uma das consequências disso é o baixo índice de profissionais com graduação completa: apenas 25%. “A área de Analista de Sistemas é responsável pelo maior índice de graduados dentre as áreas pesquisadas – 35,3% dos deles possuem o curso superior completo – e com o menor índice, a área de Web Design – 20,8% dos profissionais possuem graduação completa”, informa Túlio Iannini.
Com relação à pós-graduação, não é diferente. Apenas 8,5% concluíram cursos de especialização, sendo a área de Gerência de Projetos responsável pelo maior índice de profissionais especializados dentre as áreas pesquisadas (19,9%) e com o menor índice (1,1%) a área de Desenvolvimento (programadores).
Participações – Um dos participantes do evento foi o vice-presidente Executivo da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex) e ex-presidente da Sociedade Mineira de Software (Fumsoft), Arnaldo Bacha de Almeida. Ele parabenizou a iniciativa de se debruçar sobre o tema força de trabalho, buscando conhecer o perfil e compreender as expectativas e as motivações dos profissionais da Indústria Brasileira de Software e Serviços de TI. “Devemos incentivar a realização de estudos que tenham como foco este assunto, cujo interesse deve estar não apenas nas empresas, mas também na academia e principalmente nas diversas instâncias de governo”, completou.
Para o diretor da Assespro-MG e da NetSol, Erasmo Borja Sobrinho, a pesquisa retrata bem o estado precário do ensino do Brasil e iniciativas desta natureza são um passo muito importante para o desenvolvimento do setor. “Estas informações podem direcionar ações mais precisas na área de recursos humanos. A pesquisa mostra que o retrato do que temos em casa é comum à grande parte do setor e que, sendo assim, podemos ter ações em conjunto em prol de todos”, avalia.
De acordo com o diretor da Info Sistemas, Marcelo Alvarenga, a divulgação dos resultados da pesquisa sobre o Perfil dos Profissionais de TI é um marco para os empresários do segmento. “Viemos de uma era onde desconhecíamos as preferências e característica desse grupo de profissionais. Gerenciávamos e tomávamos decisões na área de RH muitas vezes ‘pelo faro’. Isto muda daqui para frente, pois há uma realidade descoberta por um trabalho minucioso, em que foi delineado o perfil dos colaboradores da área de TI. Após a magnífica apresentação dos resultados da pesquisa poderemos traçar as políticas e elaborar as estratégias de RH de nossas empresas com uma maior assertividade.”
A apresentação 1ª Pesquisa do Perfil dos Profissionais de TI contou, ainda, com a presença do presidente da Assespro-MG, Ian Campos Martins; do coordenador dos APLs de Software da Região Metropolitana de Belo Horizonte e de Viçosa, Rubens Gomes Leite e do presidente da Sucesu, Márcio Tibo.
Fonte: Assessoria de Imprensa - Assespro-MG (Assespro em Pauta #44)